RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

     
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KIRCHER, Athanasius. ATHANASII KIRCHERI E Soc Jesu CHINA MONUMENTIS

qua Sacris quà Profanis, Nec non variis NATURAE & ARTIS SPECTACULIS, Aliarumque rerum memorabilium Argumentis ILLUSTRATA auspiciis LEOPOLDI PRIMI, ROMAN. IMPER. SEMPER AUGUSTI, Munificentissimi Mecenatis. [Moto e vinheta da Companhia de Jesus com figuras de acompanhamento] AMSTELODAMI, Apud Jacobum à Meurs, in fossa vulgò de Keysersgracht, Anno M.DC.LXVII. [1667].

In 4º (33x21 cm) com [14], 237, [11] pags.

Encadernação do séc. XX com lombada em pele.

Ilustrado em extratexto com 1 frontispício e 26 gravuras. Texto impresso a duas colunas, com extensas passagens impressas em caracteres siríacos e chineses. Ilustrado no texto com cerca de 41 gravuras (circa 14x17,5 cm) e inúmeras gravuras com ilustrações dos caracteres das línguas orientais. 

Exemplar intonso (por aparar) e em excelente estado de conservação.

Raríssima primeira edição em latim publicada por Jacob Meurs, sendo conhecida como a edição pirata. Segundo Brunet 1921, III, 666: A qualidade gráfica é idêntica ou superior à edição de Joannem Janssonium, apenas com ligeiras diferenças relativamente às dimensões das gravuras.

A obra contém belas gravuras tiradas dos originais chineses que Grueber trouxe para a Europa em 1664.

Dimensões das manchas gráficas das gravuras extratexto:

Frontispício 26,5x17,5 cm; Retrato de Kircher: 28x18 cm; Inscrição chinesa nestoriana: 66x37cm; Inscrição siríaca 30x19 cm; Nomina apostolicorum 30x19 cm; Mapa do Cataio 35x27 cm; Cruz de São Tomé 26,5x17,5 cm; De Mogorum de 26x18 cm; Imperi sino Tartari Supremus Monarcha 26,5x18 cm;  Habitus 28,5x18 cm; Idem 28,5x18 cm; Adam Schall 28x18 cm; Mateus Ricci & paulus magnus 28x18 cm; Cortezã 28x18 cm; Cortezã 28,5x18,5 cm; Turris Novizonia 27x17,5 cm; Schematismus (...) Sinensium Numina 28x18 cm; Typis Pussae seu Cybelis 27,5x18 cm; Fabulosa Brachmanum 24,5x16,5 cm; Elementa lingua sanscrit (5 foliae) 30x19 cm; hiam Cervis Muscatis 19x16,5 cm; Pons volans in Provincia Xensi 19,5x31 cm.

Esta obra foi posteriormente publicada em holandês, inglês e francês. Chamou a atenção de um grande número de ocidentais para as maravilhas e curiosidades do Extremo Oriente, incluindo os pés de lótus (ligaduras colocadas nos pés das mulheres para os manter pequenos), o Confucionismo, a Grande Muralha, as lacas, as sopas de ninho de andorinha, o chá, etc.

Os capítulos incluem história natural e linguística, apresentando transcrições peculiares da escrita chinesa. Kircher era especialista em línguas antigas do Médio Oriente, o que é demonstrado pelos vários idiomas presentes na obra.

Este livro representa um marco no estudo da língua e da cultura chinesas. Segundo Merrill, Kircher, através do missionário Michael Boym, tomou conhecimento das famosas inscrições nestorianas feitas pelos missionários cristãos que teriam chegado à China no ano 781.

Contém a transcrição e o primeiro vocabulário chinês impresso no Ocidente, tendo-se tornado um texto padrão para o estudo da língua chinesa até ao século XIX.

Segundo os críticos, o objectivo principal desta obra era estabelecer a autenticidade do monumento nestoriano que fora entretanto descoberto. Para esse fim, Kircher produziu e imprimiu as inscrições chinesas e siríacas deste monumento, um texto chinês latinizado e finalmente uma tradução latina com a sua explicação dos textos chineses e siríaco.

Além disso Kircher incluiu na obra descrições consideráveis da China e de outros lugares na Ásia como, por exemplo, uma secção dedicada ao cristianismo na China, o esboço de todas as antigas rotas terrestres (incluindo a de Agra para Pequim), bem como uma descrição do Tibete.

Kircher descreve as religiões da China, Japão e Índia, segundo o que ele pensava ser a propagação da idolatria do Próximo Oriente em direcção à Pérsia, Índia e finalmente à Ásia Oriental. Há vários capítulos sobre governo, costumes, geografia, fauna, flora e artes mecânicas na China.

No final do século XX as qualidades estéticas desta obra começaram novamente a ser apreciadas. Um estudioso moderno, Alan Cutler, descreve Kircher como "um gigante entre os estudiosos do século XVII" e "um dos últimos pensadores que poderia legitimamente reivindicar o domínio de todas as áreas do conhecimento". Outro estudioso, Edward W. Schmidt, referiu Kircher como "o último homem do Renascimento".

Sobre esta edição dita pirata; ver in Boston College (ricci.bc.edu/books/china-illustrata): «Esta obra é conhecida formalmente pelo seu nome completo em latim “Athanasii Kircheri e Soc. Jesu China monumentis [etc…]”.

Athanasius Kircher (da Companhia de Jesus) compilou informação sobre assuntos religiosos e laicos, tendo-se focado também em características naturais da China (como a flora, fauna e paisagem) e acrescentando diversos assuntos que poderiam ser de interesse, tais como o excepcional artesanato, entre outros.Cada um destes temas é acompanhado de numerosas ilustrações. […]

Kircher nunca esteve na China, mas como residia no Colégio dos Jesuítas em Roma, onde recebiam formação e estudavam muitos missionários que desenvolviam o seu trabalho na China, encontrava-se habilitado a compilar os relatórios que eram enviados por estes à administração dos Jesuítas em Roma. […]

De acordo com a pesquisa efectuada por David Richtmyer, bibliotecário de livros raros e Catalogador-Chefe na Burns Library da Universidade de Boston, existe uma história interessante por trás do sucesso da publicação de Kircher. Kircher era já um autor conhecido e tinha um editor com quem trabalhava habitualmente (quando morreu tinha publicado 40 trabalhos).

Os seus editores, Janssonius van Waesberge and Elizer Weyerstraten, estavam sediados em Amesterdão e fizeram uma edição do seu trabalho em 1667. Sabe-se, no entanto, que, também no mesmo ano, outro editor de Amesterdão, Jacob van Meurs, também o editou. Esta última versão era, portanto, uma edição pirata e Van Meurs teria de alguma forma obtido as páginas originais do texto e comissionara um novo conjunto de gravuras. Van Waesberge e Weyerstraten intentaram uma acção legal denunciando este facto, acção essa que deu origem a uma reunião com Van Meurs, um notário público e um terceiro editor.

Como atesta Richtmyer no site da Biblioteca da Universidade de Boston “nesta reunião, em 27 de Junho de 1667, as partes lesadas exigiram que Van Meurs entregasse a sua cópia da obra na íntegra: todas as cópias editadas bem como as placas de gravação em cobre e madeira, tendo sido ainda proibido de voltar a publicar este trabalho. Em compensação, Van Meurs recebeu 3.450 florins, que cobriam os custos da sua “re-impressão”. As impressões subsequentes que saíram do prelo da empresa de Janssonius van Waesberge e Weyerstraten (e mais tarde da viúva deste último) usaram as gravuras ligeiramente mais pequenas comissionadas por Van Meurs, apesar de o texto se ter mantido exactamente o mesmo.”

Surge aqui uma outra questão: porque foi o copiador compensado pela destruição da sua cópia? Aparentemente, Van Meurs recebeu este dinheiro – apesar de neste caso ser o transgressor – porque alguns anos antes os outros dois tinham copiado algo de Van Meurs e lucrado com isso. Portanto, claramente o notário e o outro editor conseguiram que houvesse uma espécie de entendimento entre Van Meurs e os dois lesados. (Van Meurs era um importante editor e fabricante de globos, por isso não é de surpreender que possuísse algo merecedor de ser copiado).

A forma como o trabalho de Kircher foi copiado diz muito, não só sobre a previsão da popularidade da sua China Illustrata, mas também sobre a forma negligente de exercer direitos de autor no início do mundo moderno ou, pelo menos, a forma como os editores, em centros tão importantes como Amesterdão, queriam manter privilégios exclusivos dos direitos de impressão e, ao mesmo tempo, os rodeavam desde que pelo preço certo. Aqui se comprova que a pirataria de livros e o desrespeito pela propriedade intelectual não é uma questão recente. Os leitores em geral irão apreciar não só a perícia do(s) gravador(es), mas também os belos detalhes de cada ilustração, que agregam informações sobre temas como o chá, gingseng, a Grande Muralha e as roupas do imperador. Os académicos irão apreciar as crónicas sobre a China e o facto de poderem ler (e pesquisar) relatos revistos sobre a China que remontam a mais de 300 anos».

Brunet 1921, III, 666: «CHINA, monumentis qua sacris, qua profanes… Illustrata. Amstel., 1667, in-fol, 9-12 fr. [28271]. Selon Ogle’s oriental catalogue, London, 1820, in 8º, nº 1022, il existe deux éditions de cet ouvrage, sous la même date, et don’t l’une est en plus grand caractères que l’autre, et renferme des cartes grav. Sur une plus grande échele; du reste le contenue est le même. 21fr. Mar. r. Huzard»

 This is the first Latin edition from Jacob Meurs, known as a pirate edition. The book was quickly reissued in Dutch, English, and French.

This work brought to the attention of a large numbers of Westerners the wonders and curiosities of the Far East including foot binding, Confucianism, the Great Wall, lacquer, bird's nest soup, and tea, among others.

Chapters include natural history and language, with bizarre copies of Chinese script. Kirchers expertise was in ancient Middle Eastern languages, this being demonstrated by the multiple languages present in the book.

This book represents a milestone in the study of Chinese language. Kircher learned from missionary Michael Boym the existence of the famous Nestorian inscription at His-an Fu, which showed that Christian missionaries reached China in A.D. 781. The transcription and transliteration of the His-an Fu inscription, printed here for the first time, is 'the first Chinese vocabulary ever printed in the West and the standard text for the study of Chinese until the nineteenth century' (Merrill).

According to some reviews the primary purpose of Kircher was to establish the authenticity of the Nestorian monument. With this in mind, he produced and printed the original Chinese and Syriac inscriptions on the monument, the Chinese text adapted in Latin, and last a Latin translation and his comments to the Chinese and Syriac texts. Additionally Kircher included extensive descriptions of China and other places in Asia. For example, in a section devoted to Christianity in China, he sketched all the old overland routes, including that of Grueber and d'Orville from Agra to Beijing, as well as a description of Tibet.

Following what he thought to be the spread of idolatry from the Near East to Persia, India, and finally to East Asia, Kircher described the religions of China, Japan, and India. There are several chapters on government, customs, geography, fauna, flora, and mechanical arts of China, and a very interesting scholarly discussion on the Chinese language. There is a long Chinese-Latin dictionary.

Kircher's volume contains several beautiful pictures taken from Chinese and Mughal originals, which Grueber had brought back to Europe in 1664. In the late 20th century the aesthetic qualities of his work began again to be appreciated. One modern scholar, Alan Cutler, described Kircher as "a giant among seventeenth-century scholars", and "one of the last thinkers who could rightfully claim all knowledge as his domain". Another scholar, Edward W. Schmidt, referred to Kircher as "the last Renaissance man".

 

In Boston College (http://ricci.bc.edu/books/china-illustrata): «Strictly speaking this work is formally known by its full Latin title: Athanasii Kircheri e Soc. Jesu China monumentis [etc] Athanasius Kircher (of the Society of Jesus) acted as a compiler, bringing together information on things both religious and secular, as well as concerning the various natural things of China (such as flora, fauna and landscape), in addition to anything else that might be of interest, such as exceptional handicrafts and so on. These items were accompanied by numerous illustrations. […]

Kircher never traveled to China but because he was based at the Jesuits’ College in Rome, where many China-based missionaries had trained and studied, he was well placed to compile the reports that they sent back to the Jesuits’ administrative offices in Rome. […]

According to research by David Richtmyer, the Rare Books Librarian and Senior Cataloger at the Burns Library, Boston College, there is an interesting back-story to Kircher’s successful publication. Kircher was already a well-known author, and thus had a usual publisher with whom he dealt. (By the end of his life he had published 40 works).

His regular publisher was the printing house in Amsterdam run by the business partners Janssonius van Waesberge and Elizer Weyerstraten. They produced a copy of his work in 1667, but it is known that another Amsterdam publisher, Jacob van Meurs, also brought out a copy in the same year. This latter version was therefore a pirated copy, and somehow Van Meurs had obtained the original sheets of text, and had commissioned a new set of engravings. Van Waesberge and Weyerstraten sought legal redress about this act of copying, and thus held a meeting with Van Meurs, a public notary and a third printer.

According to Richtmyer (on the BC Library website) “at this meeting, on 27 June 1667, the aggrieved parties demanded that Van Meurs hand over the entirety of his copy of the work: all his printed copies along with his copper and woodblock plates. Further, he was to cease and desist from publishing this work again. In return Van Meurs received 3,450 florins, which basically covered the costs of his ‘reprint.’ Subsequent printings at the shop of Janssonius van Waesberge and Weyerstraten (and later with Weyerstraten’s widow) used the slightly smaller engravings that Van Meurs had commissioned, though the text remained precisely the same.”

A further question arises as to why the copyist is compensated for the destruction of his copy. Apparently Van Meurs was paid this money – even though he was the offender in this instance – because some years earlier the other two had actually copied something of Van Meurs, and had clearly profited from that act. Therefore the other printer and the notary clearly worked some sort of truce between Van Meurs and his two complainants. (Van Meurs was a significant printer and globe maker in his own right, so the fact that he had something worth copying is not unlikely).

The manner in which Kircher’s work was copied says much, therefore, about not only the predicted popularity of his China Illustrata but also about the lax attitudes to copyright in the early modern world. Or at least, while printers in centers as distinguished as Amsterdam wanted to maintain exclusive privileges to the rights to print something, they were not above trying to get around those rights if the price was right. Clearly book piracy and disregard for intellectual property is not a new thing. General readers will appreciate not only the skill of the engraver(s) but also the fine details contained within the illustrations, that convey information about items like tea, ginseng, the Great Wall and the clothing of the emperor.

Scholars will appreciate the reportage about China, and enjoy being able to read (and search) redacted accounts about China from almost three hundred years ago». Biography of Kircher filled at the Metropolitan Museum of Art: «Kircher was ordained a Jesuit in 1628 in Mainz, Germany, but fled his homeland and settled in Rome in 1634 to escape the Thirty Years War. He remained in Rome most of his life researching a wide variety of disciplines, from geography and astronomy to medicine and music.

He was a rigorous and sometimes unconventional scientist, yet all his writings retain some of his mystical and religious conceptions of nature. The "China Illustrata" was first published in Latin in 1667, in German in 1668, and in French two years later. The text is based on descriptions by European explorers (many of them Jesuits) in China, India, and other Asian countries. With this book Kircher hoped to demonstrate the origin of Oriental "customs, ceremonies, and idols . . . and to demonstrate the way to bring [back] those who have been turned away from Christ by devilish malice."

The splendid engravings were based on explorers' sketches and original images imported from Asia. Not only are they clear visualizations of Kircher’s philosophy toward Asian traditions but they are also the first complete illustrations of various aspects of the civilization».

Referência: 1511JC011
Local: M-10-B-5


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