RUGENDAS. (Johann Moritz) HABITANTE DE GOYAS. Quadro a óleo pintado sobre madeira.

     
 
   

Notas de Imprensa

Um Português no Salão do Livro Antigo de Madrid

Pedro Castro e Silva foi mais uma vez o único português convidado pelo Grémio de Livreiros madrilenos que, de dois em dois anos, organiza o Salão do Livro Antigo de Madrid. Trouxe na mala 105 livros, entre os quais algumas preciosidades. "Vimos mais para estar presentes do que para fazer negócio", revela a terceira geração dos Castro e Silva, cuja livraria foi fundada pelo seu avô em 1957, em Lisboa.

É na posterior visita à capital portuguesa dos compradores que reside a aposta que Castro e Silva faz para, durante três dias, ter uma mesa e uma vitrina neste que é o XIII Salão do Livro Antigo de Madrid – que junta livreiros de Espanha, França, Holanda, Alemanha e Argentina – e que termina amanhã.

A edição dos três volumes de Ásia Portuguesa, de Manuel Faria e Sousa, é a proposta mais cara do livreiro português na capital espanhola, obra do historiador e filólogo que morreu em Madrid em 1649.

Interessante é também uma tradução em castelhano do século do XVIII do testamento de D. João II, editado em Madrid a 22 de Novembro de 1730. "Como outros documentos de então, o testamento era enviado para fora de Portugal por motivos de segurança", explica Castro e Silva. Este, segundo o livreiro, poderia ser interpretado como legitimador das pretensões ao trono das casas de Aveiro e dos Távora que acabaram por ser eliminados pelo Marquês de Pombal.

Relacionado com o mesmo tema, um manuscrito do século XVIII sobre a Trágica História do dia 13 de Janeiro de 1759 na Praça de Belém da cidade de LXa, com a descrição do modo como foram executados cada um dos 11 fidalgos das casas de Aveiro, Távora e Athoguia.

Também à venda estava o Regimento do Santo Officio da Inquisição dos Reinos de Portugal, uma edição de 1744. Curiosa é a tradução para português de uma obra do Abbade de Beuy, datada de 1830: Manual das Revoluções, seguido do parallelo das Revoluções dos séculos precedentes com as do século actual, referida na época como "obra útil aos soberanos, ao Clero, à Nobreza e a todos os honrados Habitantes das Cidades e dos Campos". Impressa na Tipografia de Bulhões e "offerecida a todos os Verdadeiros Portugueses". Também uma tradução francesa de Don Quixote, de Miguel de Cervantes, em seis volumes de 1754, e uma edição de 1735 em francês de Os Lusíadas.

"Como fazemos sempre, mandámos o catálogo desta exposição para o Património Nacional", precisa Pedro Castro e Silva, um dos 40 livreiros que em Portugal se dedica ao livro antigo - uma actividade que não beneficia da crise. "O livro antigo vale dinheiro, mas não é um objecto de venda imediata, tem de ser vendido na altura própria", explica Castro e Silva. "Quem tem estes livros não os vende por necessidade, pelo contrário, prefere ficar com eles." Por isso, as obras que trouxe ao Salão madrileno, conclui, procedem de "abastecimentos em leilões e em colegas".

Por Nuno Ribeiro in Jornal “O Público”, 27 de Novembro de 2010

Preciosidades em segunda mão

Vão rareando os alfarrabistas a sério – aquela estirpe de amantes de livros que, conhecendo o valor das raridades que têm em casa, partilham com a comunidade bibliófila os pequenos-grandes prazeres da leitura e do contacto táctil e olfativo com obras que resistiram ao tempo. Há ainda alfarrabistas escrupulosos, sem dúvida, mas é mais frequente, nos dias consumistas que correm, a loja-armazém onde os “livros velhos” se amontoam sem ordem nem critério, vendidos muitas vezes a preço unitário por falsos alfarrabistas que tanto podiam estar ali como numa drogaria a vender sabonetes.

Uma das boas excepções em Lisboa é a Livraria Castro e Silva, com porta aberta na Rua do Loreto nº 14, junto ao Largo de Camões, e escritórios na Rua do Norte, 44-1º, ao Bairro Alto. Para além de contar com pessoal com preparação bibliográfica, e que realmente gosta de livros, a Castro e Silva coroa mensalmente o seu labor bibliográfico com um Catálogo em que regista uma selecção bem ordenada dos seus fundos. Fundada nos anos 50 do século passado, mantém a tradição de um negócio familiar com o bom gosto e a sobriedade das melhores congéneres europeias.

Por Hugo Navarro in Jornal “O Diabo”, 2 de Março de 2010

 
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